Sacalina Anuncia Antecipação da Neutralidade de Carbono

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O governador da região de Sacalina, Valery Limarenko, anunciou o alcance antecipado da neutralidade de carbono na ilha durante o fórum “Ilhas de Desenvolvimento Sustentável” em Iujno-Sakhalinsk. Segundo ele, Sacalina é a primeira região na Rússia onde a absorção de gases de efeito estufa (GEE) superou suas emissões, conforme o cadastro regional oficial. Esse sucesso, em parte devido às emissões industriais relativamente modestas da região, permite que Sacalina seja considerada um modelo para outros sujeitos da Federação Russa. Embora os resultados finais do experimento climático para 2025 só sejam sumarizados em 2026, Sacalina pretende manter o equilíbrio de carbono alcançado e buscar novas maneiras de aprimorá-lo.

O chefe do Ministério da Economia, Maxim Reshetnikov, confirmou a prontidão de seu departamento para apoiar outras regiões interessadas em projetos semelhantes. Atualmente, a regulamentação climática permanece “suave” para as empresas, a fim de não criar dificuldades adicionais em um cenário de sanções. No entanto, o ministro salientou a extrema importância de testar e implementar instrumentos de regulamentação de carbono mais rigorosos, como a quota e o comércio de licenças de emissão.

O experimento para limitar as emissões de GEE em Sacalina teve início em 2022. Seu objetivo era atingir a neutralidade de carbono até 31 de dezembro de 2025 e estabelecer um mecanismo de quota para GEE. Trinta e cinco empresas participam do projeto, fornecendo relatórios de carbono expandidos, com base nos quais as quotas são estabelecidas. Essas quotas podem ser vendidas ou utilizadas pelas empresas para futuras emissões. Segundo o Ministério da Economia, o volume do novo mercado de quotas na Federação Russa é de 266 mil toneladas de CO2 equivalente, com 131 mil unidades de carbono já contabilizadas em 2025, um aumento de oito vezes em relação a 2024.

O Ministro da Economia enfatizou que a agenda climática influencia diretamente a competitividade dos produtos russos no exterior e a participação da Rússia na formação de novos mercados, onde o país detém fortes posições, como na produção de alumínio, fertilizantes, petroquímicos, lítio, além de energia nuclear, hidrelétrica e fontes de energia renovável (FER). O regulador está ativamente formando o mercado de unidades de carbono, um sistema de verificação de relatórios e projetos climáticos, e um registro de unidades de carbono. O objetivo é criar uma infraestrutura capaz de integrar o sistema nacional ao global.

O representante especial do presidente para assuntos climáticos, Ruslan Edelgeriyev, destacou que a regulamentação das emissões de carbono está sendo implementada não apenas na UE (através do imposto transfronteiriço de carbono), mas também em outros países como a China (onde o sistema de comércio de licenças está sendo expandido para diversas indústrias), Índia, Cazaquistão e Uzbequistão. Ele alertou que, no futuro, países sem precificação de carbono poderão estar em desvantagem em relação a outras nações, levando à imposição de tarifas para proteger produtores domésticos, o que poderia prejudicar a Rússia.

As autoridades russas veem a harmonização das abordagens regulatórias com os países do BRICS como uma tarefa fundamental para criar um mercado comum de unidades de carbono e comercializá-las sob o Artigo 6 da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) e o Acordo de Paris. Edelgeriyev sublinhou a necessidade de trabalhar na precificação do carbono e na introdução gradual da regulamentação pertinente.

Embora alguns especialistas, incluindo o Instituto de Previsão da Economia Nacional da Academia Russa de Ciências, tenham expressado preocupações de que o experimento de Sacalina não atingiria os objetivos-chave da política climática nacional, o Ministério da Economia não se mostra abalado por essas “imperfeições”. O alcance antecipado da neutralidade de carbono oferece a oportunidade de refinar os pontos controversos antes da conclusão do experimento.

Autora: Anna Koroleva