Um folhetim
Quase todo o mês de junho foi dedicado ao conserto do terraço, o que consumiu uma parte significativa do já curto verão da região de Moscou. Amigos construtores amigáveis da Ásia Central instalaram com sucesso os azulejos na varanda. Marina ficou especialmente satisfeita com o fato de que a soleira entre o terraço e a sala de estar foi rebaixada em dois centímetros, provando que não há limites para a perfeição.
Foto: Ivan Skripalev
Confesso que não sou um grande fã de críticas, embora as aceite humildemente. Certa vez, uma senhora, citando Tchekhov, me deu uma verdadeira bronca, afirmando que se uma espingarda está pendurada na parede no primeiro ato, ela deve inevitavelmente disparar no último, e que, em minhas obras, essa regra não é observada. Apresso-me a tranquilizá-los: a soleira mencionada entre o terraço e a sala de estar é precisamente essa “espingarda” que está prestes a “disparar”, sem esperar pelo final.
Certa noite, sentado na sala com meu laptop e, como de costume, assistindo a um filme (o cinema, pela minha experiência, contribui muito para a estupidez), distraí-me da tela e notei uma espécie de trapo cinzento aos meus pés. Achei uma desordem. Estendi a mão para removê-lo, mas de repente o pequeno trapo cinzento deu um salto inesperado! Era um sapo ágil! Lembrei-me da crença infantil de que, ao tocar sapos, surgem verrugas. E verrugas eu definitivamente não quero.
Comuniquei à Marina o aparecimento do sapo em nossa casa. Sugeri que ela agradecesse aos amigos uzbeques por terem rebaixado a soleira entre o terraço e a sala de estar. E, claro, que enviasse um “muito obrigado” especial ao sapo! E Marina? Ela me entregou uma pá de lixo e uma vassoura, ordenando rigorosamente que eu devolvesse o sapo ao seu habitat natural.
Passei o resto da noite na cansativa perseguição ao sapo. Ele se esquivava, e eu, já não tão jovem, mal conseguia acompanhá-lo. Com a ajuda da pá e da vassoura, consegui finalmente expulsar o anfíbio para fora, na noite escura e chuvosa. Espero não tê-lo machucado. Pensando que era hora de dormir, aproximei-me da escada e vi… outro sapo! O segundo. Este eu já não me preocupei em pegar. Que viva em casa. Dizem que eles comem mosquitos…
Durante a noite, sonhei com um labirinto infinito de quartos, e em cada um deles havia uma espingarda pendurada na parede, e em um até uma adaga.
Saudações a todos de Vitaly Bianki, Prishvin e, claro, de Tchekhov!
Reflexões:
Quando a mente se confunde, os pensamentos parecem se enrolar em espiral.
Dúvidas intermináveis apenas aceleram a estagnação.
Quem mais se atrasa é aquele que se apressa demais.
As vitórias de amanhã são forjadas no passado.
É possível chegar às bodas de prata. Se a esposa tiver um caráter de ouro.
