Monitoramento do Mercado de Recursos Energéticos

A Agência Internacional de Energia (AIE) projeta um crescimento de 1,3% na demanda global por gás em 2025, atingindo 4,27 trilhões de metros cúbicos, em comparação com 4,21 trilhões no ano anterior. Essa revisão para baixo em relação à estimativa anterior de 1,5% (e 2,8% em 2024) é atribuída à crescente incerteza macroeconômica. Analistas também notam que as novas políticas comerciais dos EUA já estão afetando o crescimento econômico e diminuindo as projeções para a demanda de petróleo.
Espera-se que a América do Norte e a Europa sejam os principais motores do crescimento do consumo de gás em 2025. Enquanto isso, a região da Ásia-Pacífico (APAC), que anteriormente liderava o aumento da demanda, registrará o menor crescimento no consumo desde 2022, devido à incerteza geral e às tarifas americanas, o que levou a uma queda de mais de 20% nas importações de GNL da China no primeiro semestre. No entanto, a AIE prevê que no próximo ano o crescimento da demanda na APAC acelerará para 4% (em comparação com menos de 1% em 2025). No geral, a expansão global da demanda será de 2%, e o consumo mundial atingirá um recorde de 4,35 trilhões de metros cúbicos.
Em resposta à crescente demanda, as entregas de GNL aumentarão em 7% em 2026, o maior aumento desde 2019, impulsionado pelas exportações dos EUA, Canadá e Catar. Analistas ressaltam que a confiabilidade dos fornecimentos russos permanece incerta devido às sanções. Em janeiro, projetos de GNL russos, incluindo “Portovaya LNG” da Gazprom e “Kriogaz-Vysotsk” da NOVATEK, foram adicionados à lista de sanções do Tesouro dos EUA. Segundo dados da AIE, essas restrições já impactaram as entregas de GNL da Rússia no primeiro semestre, com uma redução de 7%.
As exportações de GNL russo para a Europa diminuíram 4% nos primeiros seis meses do ano. No entanto, a Rússia ainda se manteve como o segundo maior fornecedor de GNL para os países europeus, com a maior parte dos fornecimentos destinada à Bélgica, França e Espanha. Enquanto isso, as exportações de gás por gasoduto da Rússia para a UE caíram 45% entre janeiro e junho devido à interrupção do trânsito pela Ucrânia no início do ano. A União Europeia planeja renunciar completamente aos recursos energéticos russos a médio prazo, substituindo-os, entre outras coisas, pela importação de GNL dos EUA.
