Este ano, o gênero de terror tem demonstrado uma força crescente e um reconhecimento sem precedentes na indústria cinematográfica. O que antes era visto como um nicho de menor valor, hoje ocupa um lugar de destaque, com produções que exploram não apenas o medo, mas também a crítica social e a profundidade psicológica.
O sucesso de filmes como “Smile 2”, “M3GAN” e “Barbarian” comprova que o terror, com orçamentos acessíveis, pode se tornar um grande sucesso de bilheteria. Esse cenário favorável abre espaço para novas ideias, experimentos e premissas intrigantes.
A capacidade do gênero de funcionar como um veículo para a crítica social e a exploração de traumas coletivos, impulsionada por produtoras como A24 e Blumhouse, tem elevado o patamar do terror. Diretores como Ari Aster e Jordan Peele utilizam o gênero para dissecar temas complexos como racismo, luto e herança familiar, conquistando tanto o público quanto a crítica.
Com tudo isso em mente, prepare-se para três lançamentos que prometem surpreender e aterrorizar: de uma história envolta em folclore e maldições de bruxas a uma adaptação cinematográfica de um fenômeno viral da internet.
Hokum: A Maldição da Bruxa
O novo filme do aclamado diretor irlandês Damien McCarthy, conhecido por seu trabalho atmosférico e minimalista em “Caveat” e “Oddity”, promete ser uma joia do folk horror. McCarthy constrói tensão a partir de espaços restritos e objetos inanimados, criando uma atmosfera de horror psicológico.
A trama acompanha Ohm Bauman (Adam Scott), um escritor recluso que viaja para uma pousada isolada na Irlanda para espalhar as cinzas de seus pais. Seu retiro se transforma em um pesadelo quando ele se vê obcecado por lendas locais sobre uma bruxa ancestral que assombraria a suíte onde seus pais estiveram hospedados.
Com uma estética gótica e um suspense psicológico magistral, “Hokum” evita sustos fáceis para construir uma sensação crescente de presságio folclórico. Aclamado no festival SXSW, o filme, distribuído pela Neon, explora traumas passados e a tênue linha entre mitologia e realidade. Estreia em Portugal em 15 de maio.
Obsessão
Escrito e dirigido por Curry Barker, este filme se destaca por sua abordagem peculiar sobre amor, magia e medo. A história gira em torno de Bear (Michael Johnston), um jovem tímido apaixonado por sua amiga de infância, Nikki (Inde Navarrette).
Incapaz de declarar seus sentimentos, Bear adquire um antigo artefato místico conhecido como “One Wish Willow” em uma loja esotérica, com o objetivo de desejar que Nikki o ame mais do que tudo no mundo. A premissa evoca uma versão moderna do conto clássico “A Pata do Macaco”.
O que começa como um sonho romântico se desdobra em um pesadelo de terror sobrenatural e psicológico. A devoção de Nikki se transforma em uma obsessão extrema e violenta, sugerindo que sua autonomia foi comprometida por uma entidade maléfica. A crítica elogia a atuação de Navarrette, que transita de uma garota adorável a uma figura aterrorizante, em uma transformação perturbadora e visceral. O filme estará disponível em Portugal em 26 de junho.
Backrooms
A adaptação cinematográfica da popular série de curtas “The Backrooms”, dirigida pelo jovem prodígio Kane Parsons (Kane Pixels), é uma produção da A24 que já se tornou um marco no terror moderno. Com apenas 20 anos, Parsons faz história como o diretor mais jovem do estúdio ao levar seu fenômeno viral do YouTube para as telonas, com um orçamento de cerca de 10 milhões de dólares.
A narrativa se afasta um pouco do formato antológico da série original para seguir uma linha mais linear. A história centra-se em Clark (Chiwetel Ejiofor), um dono de loja de móveis cuja vida muda radicalmente ao descobrir uma porta misteriosa em seu porão que o leva a uma dimensão alternativa.
Quando Clark desaparece, sua terapeuta, a Dra. Mary Kline (Renate Reinsve), precisa adentrar este labirinto infinito de corredores amarelos e luzes zumbantes para resgatá-lo. Ela se depara com uma realidade que parece assustadoramente familiar e replicadora de espaços.
Para recriar a atmosfera liminar e opressiva característica do gênero “analog horror”, a A24 construiu cenários práticos de mais de 30.000 pés quadrados. O elenco conta ainda com Mark Duplass, Finn Bennett e Lukita Maxwell, e a produção inclui nomes como James Wan e Shawn Levy. O filme promete capturar o sentimento de solidão e ansiedade sensorial da obra original, mas em uma escala cinematográfica sem precedentes. Estreia em Portugal em 5 de junho.
