A recuperação da economia europeia pode ser adiada indefinidamente
De acordo com dados do Eurostat, o Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro registou um crescimento homólogo de 1,4% no segundo trimestre de 2025 e um aumento de 0,1% em relação ao trimestre anterior. Este resultado superou as previsões dos analistas, que esperavam um crescimento anual de 1,2% e estagnação trimestral. A expansão das exportações europeias, impulsionada pela antecipação de uma guerra comercial, contribuiu significativamente para estes números, sustentando a atividade empresarial até julho. Contudo, a trajetória futura dos principais indicadores económicos permanece incerta, prevendo-se que o acordo comercial entre Bruxelas e Washington possa impactar negativamente o sentimento de empresas e famílias.
As estimativas preliminares do Eurostat confirmam que a economia da zona euro demonstrou um crescimento anual de 1,4% e trimestral de 0,1% entre abril e junho. Estes números superaram as projeções da Trading Economics (1,2% e 0%, respetivamente). No primeiro trimestre, o crescimento foi de 1,5% anualmente e 0,6% trimestralmente. A estabilidade do crescimento no segundo trimestre foi em grande parte impulsionada pelo aumento das exportações, especialmente para os EUA, à medida que os fornecedores procuravam antecipar a implementação de novas restrições comerciais.
Apesar do aumento nas exportações de automóveis e medicamentos, o PIB da Alemanha, a maior economia europeia, registou um crescimento homólogo de apenas 0,4% no segundo trimestre, e uma contração de 0,1% face ao trimestre anterior.
O Departamento Federal de Estatística da Alemanha informou que a atividade empresarial no país continua a ser travada por uma série de problemas, incluindo a diminuição da competitividade em certas indústrias exportadoras e o envelhecimento da população. Com a introdução de tarifas de 15% sobre os produtos europeus, os riscos de recessão na Alemanha estão a aumentar, e estas restrições serão particularmente sentidas pelo país.
A Comissão Europeia reconheceu que o acordo comercial selado entre Washington e Bruxelas não é vantajoso para as empresas europeias. Analistas do ING preveem uma deterioração do sentimento empresarial na zona euro nos próximos meses, sugerindo que julho pode ter sido o último mês de “otimismo moderado” para empresas e consumidores.
