A crescente popularidade do Gemini e sua integração profunda no sistema operacional Android chamaram a atenção dos reguladores europeus. Recentemente, a Comissão Europeia emitiu um alerta ao Google, exigindo que o sistema Android seja mais aberto a serviços de inteligência artificial concorrentes, a fim de estimular a concorrência e evitar que o gigante tecnológico monopolize funcionalidades essenciais em seus próprios modelos de IA.
Conforme divulgado pela Reuters, a Comissão Europeia apresentou um conjunto de propostas ao Google sob o guarda-chuva da Lei dos Mercados Digitais. O principal objetivo é garantir que serviços de IA de outras empresas possam operar no Android com o mesmo nível de capacidade que o Gemini. Atualmente, os reguladores apontam que o Google restringe o acesso a funções cruciais do sistema operacional para seu próprio modelo de IA, relegando os concorrentes a uma integração de menor qualidade.
Isso significa que, na prática, assistentes de IA como ChatGPT ou Claude, quando utilizados em dispositivos Android, não conseguem realizar todas as tarefas que o Gemini é capaz. Eles enfrentam limitações na ativação por voz, na interação fluida com outros aplicativos e na execução de tarefas cotidianas. A Comissão Europeia pretende mudar esse cenário, propondo que qualquer serviço de IA rival tenha acesso equitativo a recursos como ativação por voz, comunicação inter-aplicativos e execução de tarefas diversas.
“As medidas propostas hoje oferecerão mais opções aos usuários do Android em relação aos serviços de IA que utilizam e integram em seus telefones, incluindo a ampla gama de serviços de IA que competem com a própria IA do Google”, afirmou Teresa Ribera, Comissária de Concorrência da UE, em comunicado oficial.
Google Alerta Sobre Perigos em Abrir o Android à IA de Terceiros
Como era de se esperar, o Google manifestou descontentamento com as propostas da Comissão Europeia. Clare Kelly, principal assessora de concorrência da empresa, classificou a intervenção como “injustificada” e alertou que a obrigação de conceder acesso a hardware sensível e permissões do dispositivo poderia resultar em custos elevados e comprometer a privacidade e a segurança dos usuários europeus.
As exigências desta semana não são a única frente de pressão que o Google enfrenta na Europa. No início de abril, a Comissão já havia emitido diretrizes sobre como permitir que motores de busca rivais, incluindo chatbots com funcionalidades de busca, acessassem seus dados.
Semelhante ao caso dos serviços de IA, o Google respondeu que expor esses dados a terceiros representa riscos significativos para a privacidade de centenas de milhões de europeus que realizam buscas sensíveis relacionadas à saúde, finanças ou vida pessoal. A Comissão, por sua vez, reiterou que o objetivo dessas medidas é possibilitar que os motores de busca de terceiros otimizem seus serviços e desafiem a posição dominante do gigante tecnológico.
Caso o Google não se ajuste às diretrizes da Comissão, a empresa poderá enfrentar uma investigação formal e multas que podem chegar a 10% de seu faturamento global anual. Os reguladores estabeleceram o prazo de 13 de maio de 2026 para que terceiros apresentem suas alegações sobre as medidas relacionadas ao Android.
As ações da Comissão Europeia ecoam medidas semelhantes aplicadas a outras grandes empresas de tecnologia, como a Meta. Recentemente, a empresa de Mark Zuckerberg recebeu um aviso para restaurar o acesso de aplicativos como WhatsApp a ChatGPT e outras IAs de terceiros sem a cobrança de comissões. O descumprimento pode levar à emissão de uma ordem de restabelecimento sob as condições pré-existentes a outubro de 2025.
