Irã Anuncia Retirada da Copa do Mundo de 2026 em Meio à Turbulência Política

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Ahmad Donyamali, ministro dos Esportes do Irã, declarou que a seleção nacional não participará da Copa do Mundo de 2026, que será sediada nos Estados Unidos, México e Canadá. A decisão é justificada pela instabilidade interna após a morte do líder supremo Ali Khamenei e os recentes ataques militares norte-americanos.

A seleção iraniana havia garantido sua vaga de forma direta na Copa do Mundo de 2026.

Embora ainda não haja um comunicado oficial definitivo por parte das autoridades iranianas ou um pronunciamento da FIFA, a declaração de Donyamali aponta para uma retirada iminente. Ele explicou que a determinação se deve à grave situação de segurança e ao contexto político do país, agravado pelos ataques aéreos iniciados em 28 de fevereiro, que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei, figura mais poderosa do país desde 1989. Seu filho, Mojtaba Khamenei, foi nomeado seu sucessor.

Em entrevista televisiva, Donyamali foi categórico: “Desde que este governo corrupto assassinou nosso líder, não temos condições de participar da Copa do Mundo”.

O anúncio choca o cenário futebolístico, visto que a seleção iraniana havia conquistado sua vaga no torneio e sido sorteada para o Grupo G. Seus jogos da fase de grupos seriam disputados em território americano, enfrentando Bélgica e Egito em Los Angeles, e Nova Zelândia em Seattle.

A FIFA ainda não se manifestou sobre as consequências regulamentares dessa possível desistência. A entidade máxima do futebol deverá avaliar sanções econômicas ou disciplinares, e considerar a possibilidade de outra seleção asiática ocupar a vaga deixada no Grupo G.

A Posição da FIFA e de Donald Trump

Antes da declaração iraniana, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, havia indicado que Donald Trump, então presidente dos Estados Unidos e anfitrião do Mundial, garantia a participação do Irã. Infantino citou Trump em suas redes sociais, afirmando que “durante nossa conversa, o presidente Trump reiterou que a equipe iraniana é bem-vinda, sem dúvida, para disputar o torneio nos Estados Unidos”.

Trump já havia comentado sobre o assunto em 3 de março, expressando indiferença e descrevendo o Irã como “um país duramente derrotado” e “no limite de suas forças”. O presidente da federação de futebol iraniana, Mehdi Taj, também havia levantado dúvidas sobre a viabilidade de competir em um país considerado agressor após os bombardeios, afirmando que a decisão final caberia aos “chefes do esporte”.

Com a declaração do ministro Donyamali, parece que o Irã não disputará o que seria sua sétima Copa do Mundo. Os próximos dias serão cruciais para definir o futuro da vaga no Grupo G.

O Protesto da Seleção Feminina do Irã

Enquanto a seleção masculina ponderava sua participação no Mundial, a equipe feminina iraniana participou da Copa Asiática na Austrália. Apesar do desempenho esportivo modesto, que resultou na eliminação na fase de grupos, um gesto simbólico chamou a atenção global. As jogadoras se recusaram a cantar o hino nacional antes de seu primeiro jogo, em sinal de protesto.

Jogadoras da seleção feminina do Irã durante a AFC Women’s Asian Cup.

Este ato desencadeou uma tempestade política, gerando apoio internacional, mas também temores de represálias por parte das autoridades iranianas. Setores mais radicais do governo islâmico acusaram as atletas de traição. Após o torneio, a delegação iraniana deixou a Austrália, mas pelo menos sete jogadoras abandonaram a concentração e solicitaram asilo no país oceânico, evidenciando a gravidade da situação.