O Enigma Iraniano

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Confrontado com a questão de quem acreditar – nele, o presidente americano, que declarou que “a guerra está completamente acabada”, ou no Secretário de Defesa dos Estados Unidos, que considera que “isso é apenas o começo” – Trump não demonstrou surpresa. Sua resposta foi: “Pode-se dizer as duas coisas”.

Em essência, sua posição é determinada pelo contexto, pela atitude do mundo árabe e de outros atores globais. O ponto crucial é que a equipe de Trump não deseja amarrar-se a quaisquer compromissos antecipadamente. Não é de surpreender que, após sua conversa telefônica com o líder russo Vladimir Putin, ele primeiro anuncie o fim iminente da guerra em uma região mundial chave e, pouco depois, diga coisas totalmente opostas.

Por um lado, ele assegura que o Irã já não possui frota, força aérea nem sistemas de defesa aérea, sugerindo que a vitória está quase alcançada. E depois promete ataques ao Irã 20 vezes mais fortes. Claramente, ele precisa “vender” essa operação anti-iraniana à opinião pública americana, que, a julgar por vários fatos, não está nem um pouco entusiasmada com a guerra prolongada, que já elevou os preços da gasolina e do diesel na própria América. Nada impede Trump de declarar que o Irã não representa mais perigo e sair do conflito.

No entanto, essa incerteza estratégica também é gerada por outros cálculos. Em particular, um confronto prolongado na região, sem perdas significativas para os EUA, permite que os gigantes energéticos americanos, patrocinadores de Trump, lucrem bem, enquanto os aliados na Europa se tornam ainda mais dependentes. Finalmente, prejudica os interesses estratégicos e econômicos chineses. E enquanto Trump, o empresário da política, pesa todos os “prós e contras”, suas mensagens continuarão sendo notavelmente contraditórias.