O Ministério da Fazenda da Colômbia revelou o Plano Financeiro para 2026, um documento crucial que detalha as projeções econômicas do governo de Gustavo Petro. Embora tradicionalmente publicado em fevereiro, este ano foi divulgado em meados de março.
O plano projeta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,6% para 2026, mantendo a mesma taxa de 2025. Contudo, as estimativas de inflação para o final de 2026 situam-se em 5,8%, superando os 5,1% registrados no final de 2025. Este número é um ponto de tensão, já que a maioria dos analistas, como os da Fedesarrollo, antecipa uma inflação ainda maior, em torno de 6,41%. Em relação à taxa de câmbio, o governo prevê que o dólar fechará 2026 em COP 3.915.
O documento surge num contexto de significativa restrição fiscal, marcado por flutuações na arrecadação tributária e pela dificuldade de equilibrar os gastos com os recursos disponíveis. Em 2025, a arrecadação tributária atingiu COP 271,9 trilhões, um valor inferior aos COP 281,4 trilhões estimados inicialmente no Marco Fiscal de Médio Prazo, o que representa uma diferença negativa de COP 9,4 trilhões. Apesar disso, houve um crescimento de COP 21,3 trilhões nas receitas fiscais em comparação com 2024.
O Orçamento Geral da Nação para 2026 foi aprovado com um déficit de COP 16 trilhões. Para tentar cobrir parte dessa lacuna (COP 11 trilhões), a administração Petro emitiu um decreto de emergência econômica, que se encontra atualmente suspenso pela Corte Constitucional e cuja constitucionalidade é questionada por diversos analistas.
No que diz respeito aos gastos do governo, os números mostram que, embora o gasto total em 2025 tenha sido menor do que o projetado inicialmente, cresceu COP 24,6 trilhões em relação a 2024. A principal melhoria na redução de gastos veio de uma diminuição de COP 22,1 trilhões no pagamento de juros da dívida, graças a operações realizadas pelo Ministério da Fazenda durante 2025.
Finalmente, o Plano Financeiro indica que o déficit do Governo Nacional Central se situou em 6,4% do PIB em 2025, uma melhoria em relação aos 7,2% estimados inicialmente. Para 2026, projeta-se uma redução para 5,1% do PIB. No entanto, os analistas apontam que essa melhoria no déficit é atribuída principalmente às operações da dívida e não a mudanças estruturais nas receitas ou cortes de gastos, sugerindo que os desequilíbrios fundamentais persistirão para a próxima administração.
