
Recentemente, um grupo internacional de pesquisadores identificou uma conexão significativa: a exposição prolongada a ambientes com alta poluição do ar nas ruas aumenta a probabilidade de desenvolver demência. Uma análise detalhada desse fenômeno foi apresentada na renomada revista científica The Lancet Planetary Health.
Especialistas da Universidade de Cambridge e do Centro de Epidemiologia MRC realizaram uma extensa meta-análise, abrangendo dados de 51 estudos científicos com a participação de quase 30 milhões de pessoas. Os resultados obtidos confirmam inequivocamente que, em regiões com altas concentrações de partículas finas PM2.5, dióxido de nitrogênio (NO₂) e fuligem, a população é mais propensa a sofrer de demência, incluindo formas como a doença de Alzheimer e a demência vascular. Especificamente, um aumento de 10 µg/m³ na concentração de PM2.5 correlacionou-se com um aumento de 17% no risco de demência, enquanto um aumento similar de 10 µg/m³ nos níveis de NO₂ elevou o risco em 3%.
Segundo os autores do estudo, o ar poluído contribui para o surgimento de processos inflamatórios e estresse oxidativo no organismo, o que, com o tempo, pode levar a danos nas células nervosas. Eles enfatizam que o combate ativo à poluição atmosférica não só reduzirá os riscos para a saúde cerebral, mas também proporcionará benefícios de longo prazo para a saúde pública e a economia em geral.
Os cientistas fazem um apelo urgente para o endurecimento das normas ambientais, especialmente em relação ao transporte automotivo e às indústrias. Além disso, eles ressaltam a necessidade de expandir as pesquisas em países de baixa e média renda, onde o nível de exposição a poluentes pode ser ainda maior.
Vale ressaltar que, anteriormente, outros trabalhos científicos demonstraram o impacto positivo da música no estado de pacientes com demência. Atividades musicais contribuem para a preservação da memória, redução da ansiedade e podem até mesmo retardar a progressão dos sintomas dessa doença.
