Raízen Próxima de Acordo com Credores para Reestruturação de Dívida

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A Raízen, gigante brasileira na produção de açúcar e etanol (RAIZ4), encontra-se em estágio avançado nas negociações com seus principais credores, visando uma reestruturação extrajudicial de sua dívida, conforme informações de fontes próximas ao processo.

Um desfecho positivo com os credores pode ocorrer ainda nesta semana, revelaram as fontes, que preferiram manter o anonimato devido à natureza confidencial das discussões. Há cerca de uma semana, a companhia intensificou as conversas com os bancos, e, à medida que o diálogo progride, tanto a Raízen quanto seus financiadores concordaram em diminuir as salvaguardas cambiais inicialmente estabelecidas para o serviço da dívida em dólar.

Marcelo Martins, CEO da Cosan (CSAN3), que é coproprietária da Raízen em parceria com a Shell Plc, esclareceu durante uma teleconferência de resultados que a Cosan não está mais em negociação com a Shell para um resgate exclusivo da empresa. Atualmente, os credores estão dialogando diretamente com a Shell sobre o futuro da Raízen, e essas conversas estão em andamento.

Recentemente, a Raízen havia indicado a possibilidade de recorrer a uma reestruturação extrajudicial para sanar suas questões financeiras. Uma proposta anterior, que contava com o apoio dos acionistas Shell e Rubens Ometto (fundador da Cosan), previa uma injeção de R$ 4 bilhões (equivalente a US$ 777 milhões). Esta proposta abrangia uma reestruturação mais vasta, contemplando a conversão de parte do passivo em capital próprio, a prorrogação de prazos para o restante da dívida e a venda de ativos considerados não essenciais.

Este cenário representa uma mudança significativa para uma empresa que já foi líder na produção de biocombustíveis no país. Tentativas prévias de capitalizar a Raízen não tiveram sucesso devido à falta de consenso entre Cosan e Shell sobre o valor a ser aportado.

Fontes informaram que fundos de private equity sob gestão do Banco BTG Pactual, que também participavam das discussões, optaram por retirar-se do investimento, após divergências com os termos apresentados pela Shell.

A saída do BTG levou bancos e outros detentores de títulos a aprofundar a análise da estrutura de capital da Raízen, segundo indivíduos que acompanham de perto as negociações privadas.

Raízen, Cosan e BTG Pactual optaram por não comentar sobre o assunto. A Shell, por sua vez, não respondeu a pedidos de comentários, mas havia declarado anteriormente que estava “auxiliando a mitigar os desafios financeiros” da Raízen, propondo um aporte de R$ 3,5 bilhões como parte de uma solução estrutural.

Nos últimos dias, operadores de câmbio e gestores de fundos no Brasil observaram uma intensa liquidação de posições de hedge relacionadas às operações da Raízen. Essa movimentação impactou tanto a cotação do dólar à vista quanto o cupom cambial, que representa a taxa de juros implícita do dólar no mercado de swaps e serve como balizador para o custo da proteção cambial. Anteriormente, o jornal Valor Econômico já havia reportado a redução dessas operações de hedge.

A companhia tem enfrentado desafios consideráveis devido às elevadas taxas de juros, colheitas menos produtivas e investimentos significativos que ainda não geraram o retorno esperado. Tais adversidades comprometeram seu fluxo de caixa e elevaram drasticamente seu endividamento. Ao final do ano passado, a dívida líquida da Raízen atingiu R$ 55,3 bilhões, um salto de 43% em comparação ao ano anterior. Sua alavancagem, medida pela relação dívida líquida/EBITDA, disparou de 3 vezes para 5,3 vezes.

Os títulos da Raízen, já sob pressão, sofreram uma queda acentuada após a empresa sinalizar a possibilidade de reestruturação de sua dívida no início do ano. Como consequência, as agências de rating rebaixaram sua classificação de grau de investimento para patamares de alto risco, intensificando a desvalorização.

Os títulos da Raízen com vencimento em 2034, que em fevereiro eram negociados acima de US$ 0,80, agora valem aproximadamente US$ 0,495, segundo a Trace. Embora os rendimentos tenham recuado para cerca de 19% (abaixo do pico de 25% registrado em fevereiro), eles permanecem consideravelmente acima dos limites considerados críticos nos mercados de crédito.