Analistas Debatem Recessão em Meio a Divergências na Interpretação de Dados do PIB
O Rosstat confirmou sua estimativa para o crescimento do PIB da Rússia no segundo trimestre, registrando uma expansão de 1,1% em termos anuais. No primeiro semestre do ano, o crescimento acumulado foi de 1,2%. Ajustada sazonalmente, a economia cresceu 0,4% no segundo trimestre, após uma contração de 0,6% no primeiro. Essa sequência de dados gerou um debate acalorado entre os especialistas sobre a ocorrência de uma “recessão técnica” (definida como dois trimestres consecutivos de queda do PIB). No entanto, segundo o Rosstat, a situação econômica é ambígua devido às grandes diferenças nos indicadores entre os diversos setores.
Elvira Nabiullina, presidente do Banco da Rússia, também se manifestou sobre a questão, afirmando que seria um erro considerar a situação atual como uma recessão consumada. Ela enfatizou que os dados do PIB frequentemente passam por revisões significativas e que os macroeconomistas devem analisar um panorama mais abrangente de indicadores. Além disso, as estimativas do PIB ajustado sazonalmente variam consideravelmente. Embora o primeiro trimestre tenha registrado uma queda após um forte aumento no final do ano anterior, alguns analistas observam um crescimento no segundo trimestre.
A situação difere notavelmente entre os setores da economia. No segundo trimestre, os maiores contribuintes para o crescimento do valor adicionado foram hotéis e restaurantes (+9,2%), indústria de transformação (+3,8%) e construção (+2,7%). Houve também um crescimento significativo em finanças e seguros (+11%), administração pública e segurança militar; previdência social (+5,3%), informação e comunicação (+3,5%), e cultura e esporte (+1,6%). Por outro lado, foi observada uma queda nos setores de abastecimento de água, saneamento e gestão de resíduos (-3,9%), comércio atacadista e varejista (-2%), e mineração (-1,2%).
Analistas do canal Telegram «Tverdie Tsifry» (Números Sólidos) sugerem que a dinâmica do PIB por setor, ajustada por fatores sazonais e de calendário, não indica uma demanda interna fraca. Eles apontam que a contribuição negativa do comércio está majoritariamente ligada ao fornecimento de gás, enquanto a dinâmica de serviços de alimentação e hotelaria sinaliza uma forte demanda do consumidor. A queda no setor financeiro, a primeira desde 2022, é atribuída às rigorosas condições monetárias e de crédito. De acordo com suas estimativas, o PIB tendencial no segundo trimestre estava em 1,3%. O Ministério da Economia, que em abril projetava um crescimento de 2,5% para 2025, poderá revisar sua previsão para 1,2% em setembro.
