
Super Mario Galaxy: O Filme surge como uma sequência mais ambiciosa e profunda que sua antecessora. Esta nova produção, lançada após o sucesso de 2023, parece ter sido concebida para responder às críticas de “simples” e “infantil” que o primeiro filme animado recebeu. Desta vez, a jornada de Mario (com a voz original de Chris Pratt) é abordada sob um ângulo mais complexo. A narrativa esforça-se para ir além de ser meramente uma coletânea de referências à saga original, buscando forjar sua própria identidade, o que é particularmente evidente durante os primeiros trinta minutos da projeção.
O filme de 2023, que cativou audiências globais e revitalizou a icónica franquia da Nintendo, construiu seu sucesso na simplicidade. Apresentou uma narrativa direta e divertida, repleta de referências inteligentes aos jogos. Essa abordagem, enriquecida com humor metarreferencial, músicas cativantes e o carisma inconfundível do vilão Bowser (interpretado por Jack Black), revelou-se uma fórmula vencedora. A produção conseguiu transportar a essência da saga de videogames para o cinema sem alterar seu cerne fundamental, agradando tanto aos fãs quanto ao público geral e demonstrando o vasto potencial narrativo do universo de Mario. Apesar de algumas críticas, foi precisamente essa acessibilidade que a transformou num sucesso sem precedentes.
Contudo, Super Mario Galaxy: O Filme opta por expandir significativamente o universo, apresentando uma narrativa mais ambiciosa que aborda múltiplas facetas simultaneamente. Desenvolve-se como uma aventura espacial, introduz novos antagonistas e personagens, e até mesmo insinua uma futura sequência. Enquanto isso, o célebre herói esforça-se para compreender as dinâmicas deste mundo em constante crescimento. Embora o filme esteja salpicado de piadas, sua ambição narrativa leva-o a tornar-se confuso em certos momentos. É lamentável que, em prol de um cenário mais vasto, o humor fresco e astuto do filme original pareça diluir-se. Além disso, a proposta visual é pouco inovadora e a duração do filme se estende mais do que o necessário.
Boas Ideias para Mario e Algumas Desperdiçadas

É notável que o filme, novamente dirigido por Aaron Horvath e Michael Jelenic, aspire a ser uma sequência à altura do original, mantendo em grande parte seu tom e ritmo. É apreciável como, de forma sutil mas eficaz, é mostrada a evolução dos personagens. Mario, já consciente de suas habilidades, deve agora utilizá-las numa aventura cósmica que o confronta com um novo adversário. O roteiro de Matthew Fogel, reconhecendo a simplicidade intrínseca do herói, foca a narrativa em seu carisma. De fato, um dos aspectos mais sólidos do filme reside na representação do crescimento pessoal de Mario.
Valente, resoluto e exercendo uma liderança clara, o protagonista retorna a esta nova aventura desprovido da timidez e das inseguranças anteriores. A trama ilustra eficazmente um Mario que conhece suas capacidades e não hesita nem gasta energia em questionar suas ações. A narrativa começa de imediato, sem quase pausas, apresentando uma ameaça colossal, desconhecida e complexa que deve ser superada. No entanto, apesar da significativa contribuição da voz de Chris Pratt para a caracterização, percebe-se uma falta de ousadia do filme em explorar terrenos mais arriscados.

Isso é particularmente evidente porque Mario, o herói indiscutível, enfrenta agora uma ameaça cósmica. Contudo, o roteiro parece indeciso sobre se a saga cinematográfica do personagem deve focar-se exclusivamente no público infantil ou se deveria aspirar a uma audiência mais ampla. Essa hesitação manifesta-se ao apresentar Mario de forma quase constante como um herói amigável e divertido, mas que, em essência, não deixa de ser uma propriedade intelectual valiosa que chega ao cinema sem inovações significativas.
Novas Missões para ‘Super Mario Galaxy: O Filme’

A falta de profundidade no protagonista é mais evidente do que nunca, especialmente ao contrastá-la com a trama, que é consideravelmente mais complexa que a original. Inspirando-se nos cenários e na premissa do jogo Super Mario Galaxy (2007) do Wii, o argumento segue Mario, Luigi e Peach (interpretada por Anya Taylor-Joy) numa odisseia cósmica que os leva muito além das fronteiras do Reino do Cogumelo.
Essa reviravolta narrativa catapulta a trama para os confins do espaço, revelando o vasto potencial do universo da Nintendo. Como resultado, o design visual torna-se mais opulento, diverso e cativante do que nunca, embora por vezes possa parecer exagerado e, em certas passagens, um pouco inacabado.
Além disso, a narrativa é recheada de obstáculos, desafios e novas provas, o que imprime ao filme um ritmo frenético e constante. Contudo, Mario continua a ser simplesmente Mario, sem nuances que sugiram um desenvolvimento genuíno ou algo além de ser um herói mais bem equipado para sua primeira grande missão. Similarmente, Luigi continua a carecer da profundidade necessária (além de ser medroso ou o irmão mais novo) para realmente se destacar.
No entanto, no caso de Peach, a trama acerta ao destacar suas habilidades físicas, apresentando um repertório ampliado de poderes que incluem seus característicos saltos. As sequências de combate figuram entre os pontos mais estimulantes do filme, onde a narrativa permite à heroína demonstrar seu pleno potencial e, ainda mais, protagonizar algumas das cenas mais divertidas da história, graças ao seu carisma e um excelente senso de humor.
Dois Heróis, Dois Vilões, Novos Personagens e um Objetivo

Desde o início, fica patente a intenção do roteiro de intensificar cada um de seus elementos. Assim, não só se exige de Mario um esforço renovado para alcançar a vitória, mas também são introduzidos numerosos personagens inéditos. Peach, mais uma vez, emerge como a heroína com maior iniciativa na tomada de decisões. No entanto, o roteiro falha em oferecer-lhe pouco mais do que alguns momentos de destaque, fazendo com que por vezes pareça um mero complemento para enriquecer o cenário.
Por sua vez, Bowser Jr. (com a voz de Benny Safdie) apresenta-se como um antagonista insuficientemente desenvolvido. Este é um ponto fraco em Super Mario Galaxy: O Filme, especialmente se comparado com a brilhante interpretação de Bowser por Jack Black no filme original de 2023, que sustentou grande parte da trama. Nesta sequência, e talvez pelo contraste inevitável, seu filho — empenhado em restaurar o prestígio familiar — parece desbotado e pouco cativante. Muitas de suas melhores cenas dependem excessivamente de outros personagens e, no final, ele carece de peso próprio. Isso torna-se ainda mais evidente porque Jack Black, em suas escassas aparições, volta a brilhar, deixando claro quem é a verdadeira estrela.

Uma observação similar aplica-se aos novos personagens. Tanto a tão esperada estreia de Yoshi (interpretado por Donald Glover) quanto a aparição de Rosalina (com a voz de Brie Larson) parecem mais um esforço para expandir o universo visual do que para adicionar substância narrativa. No entanto, o personagem de Larson figura entre os mais bem elaborados e, como némesis, destaca-se por seus diálogos perspicazes e, tal como Peach, por protagonizar algumas das sequências de ação mais notáveis do filme.
Algumas Falhas de Ritmo para um Filme Frenético

Durante o seu segundo ato, o filme apresenta-se em grande parte como um exercício de nostalgia bem orquestrado. Contudo, o seu desenvolvimento acelerado por vezes torna-se confuso e caótico. O filme mantém a estrutura de um videojogo: desafios que devem ser superados para progredir, com pouca profundidade narrativa. Inicialmente, essa fórmula funciona graças à dinâmica de seus carismáticos protagonistas, que se movem entre uma série de situações divertidas.
No entanto, progressivamente torna-se evidente que Super Mario Galaxy: O Filme contenta-se em ser pouco mais do que uma metahomenagem à Nintendo. Essa estratégia poderia ser eficaz se a trama se mantivesse fiel a tal premissa. Contudo, ocasionalmente, o filme tenta ir além de ser um mero chamariz para os fãs, e é precisamente esse contraste que revela o potencial inexplorado do filme, que poderia ter sido muito mais do que uma produção previsível.
Referências e Easter Eggs em ‘Super Mario Galaxy: O Filme’

Um dos aspectos mais cativantes do filme é que, fiel ao estilo da Illumination Entertainment, a trama está repleta de referências cinematográficas. Desde enquadramentos que evocam clássicos da ficção científica como Contatos Imediatos do Terceiro Grau e Interstellar, passando por piadas da cultura pop, até referências diretas aos videogames. Destaca-se uma comparação hilária entre Bowser e Thanos da Marvel. Progressivamente, o filme adota elementos do estilo Pixar para adicionar uma camada de profundidade ao seu humor e, particularmente, às suas sequências mais notáveis.
É particularmente divertida a aparição de Fox McCloud (da saga Star Fox), com a voz de Glen Powell. Embora suas sequências não sejam tão profundas quanto se esperaria, elas abrem a porta para futuros crossovers com outras franquias e videogames. Contudo, ainda mais interessante é a utilização de claras referências à ficção científica para moldar seu herói. Essa escolha acertada transforma a odisseia do personagem numa homenagem a grandes arquétipos heroicos, incluindo uma evidente alusão a Star-Lord de Guardiões da Galáxia.
Completa, mas com Pouco de Novo a Oferecer

Apesar de suas qualidades, Super Mario Galaxy: O Filme falha em expandir de forma convincente um universo tão rico quanto o de sua origem, sem um esforço substancial. Grande parte do apelo do filme recai novamente na relação entre Mario e Luigi, e na evolução de Peach como uma líder mais capaz. Contudo, essa ambiciosa travessia por paisagens visuais impressionantes, que sem dúvida entusiasmará os fãs, fica aquém por não aprofundar sua própria premissa. Em essência, o roteiro parece contentar-se com uma exposição superficial, oferecendo mais um passeio rápido do que uma imersão profunda em um vasto universo.
É inegável que, talvez, o material original não ofereça grandes oportunidades para desenvolver uma história mais madura. Contudo, também é evidente que parte do problema reside no fato de o filme se contentar em ser divertido sem ousar ir além. Apesar dessas limitações, Super Mario Galaxy: O Filme satisfará os fãs de longa data (aos quais se destina) e, sem dúvida, cativará aqueles que amaram o filme original. Demonstra, ainda, que esta franquia possui um considerável potencial para continuar a proporcionar diversão e atração a novas audiências.
