Noelia R. Díaz Vaca, vereadora do Partido Popular (PP) para a Mulher na Câmara Municipal de Collado Villalba, Madrid, interrompeu uma peça de teatro feminista que estava a ser apresentada no último sábado, durante as comemorações do 8M. A vereadora justificou a sua ação alegando que o conteúdo do espetáculo constituía uma «falta de respeito».
Durante a interrupção, Díaz Vaca dirigiu-se à plateia, declarando: «Com licença, mas esta peça e este teatro terminam aqui. Lamento muito as faltas de respeito que foram cometidas».
A obra em questão, intitulada ‘Ser Mujer’, era um monólogo satírico. O espetáculo havia sido programado pela própria Secretaria da Mulher da autarquia como parte dos eventos comemorativos do Dia Internacional da Mulher.
O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) de Collado Villalba condenou veementemente o incidente, classificando-o como um «ato de censura impróprio» para uma instituição pública. Os socialistas enfatizaram que tal interrupção representa uma clara «violação da liberdade de expressão», especialmente num evento dedicado à defesa dos direitos, liberdade e voz das mulheres. Argumentaram que silenciar uma proposta artística desta forma é inaceitável.
O PSOE também sublinhou a importância de respeitar o trabalho de artistas e criadores, “especialmente quando este convida à reflexão ou ao confronto de ideias”. A interrupção da atuação foi considerada uma “falta de respeito” tanto para o trabalho artístico quanto para o público presente, independentemente de o conteúdo ser “politicamente correto ou do agrado de todos”.
Os socialistas recordaram que a arte, a cultura e o humor são ferramentas fundamentais para a reflexão social e o progresso. Reconheceram que, muitas vezes, estas manifestações podem incomodar ou gerar debate, e que é precisamente aí que reside o seu valor. Concluíram que as instituições públicas “não são o espaço para impor critérios pessoais nem para decidir o que se pode dizer e o que não se pode”. “O nosso município não é a propriedade privada de ninguém”, reforçaram.
Na mesma linha crítica, Manuela Bergerot, porta-voz do Más Madrid na Assembleia, exigiu a demissão imediata da vereadora. Bergerot criticou a ação, afirmando que «‘Liberdade’ é uma palavra que não significa absolutamente nada na boca da direita madrilena. Esta aprendiz de censora deveria demitir-se hoje mesmo. A responsabilidade de representar Villalba é demasiado grande para ela».
O Grupo Municipal do Más Madrid em Collado Villalba também descreveu o incidente como um «ato de censura» que «viola direitos fundamentais». O grupo pediu a demissão ou o afastamento imediato de Díaz Vaca, comprometendo-se a continuar a defender uma cultura livre, feminista e democrática, e a não permanecer em silêncio perante qualquer tentativa de censura ou retrocesso nos direitos.
Disculpas da Vereadora
Após a avalanche de críticas recebidas, a vereadora Noelia R. Díaz Vaca publicou uma mensagem de desculpa nas redes sociais. Na sua declaração, sublinhou que a sua intenção «em nenhum momento foi limitar direitos, mas sim defender uns valores» que considera «fundamentais». Reconheceu, contudo, que «a maneira de o fazer não foi a correta», reiterando as suas desculpas.
Díaz Vaca reafirmou a sua crença “firmemente na liberdade de expressão, um princípio essencial em democracia”. Ao mesmo tempo, considerou que essa liberdade “deve conviver com o respeito à dignidade das pessoas, especialmente quando falamos da mulher e da sua liberdade”.
