Com a contínua disputa tarifária com os EUA e a incerteza na cooperação econômica com a União Europeia, as empresas chinesas têm demonstrado um interesse crescente em explorar os mercados do Oriente Médio. Essa abordagem, conforme um relatório da consultoria PwC, permite-lhes diversificar investimentos e expandir seu círculo de parceiros internacionais.
A China começou a aumentar sua presença na região há cerca de três anos, e a guerra comercial com os EUA acelerou significativamente esse processo. Se em 2022 o capital chinês era direcionado principalmente para a energia tradicional e projetos de infraestrutura específicos, agora, segundo analistas, a cooperação está se aprofundando e se ampliando. Atualmente, isso inclui iniciativas conjuntas em energia eólica e solar, telecomunicações, bem como projetos relacionados a big data e inteligência artificial.
Uma pesquisa da PwC revelou que a maioria (77%) das empresas chinesas já atuantes no Oriente Médio não vê mais a região apenas como uma plataforma de pesquisa. Agora, ela é percebida como um centro estratégico para a busca de novos parceiros de negócios e para a expansão de projetos existentes.
Até 2025, a proporção de empresas chinesas que já desenvolveram uma estratégia detalhada para entrar nos mercados da região ou expandir sua presença atingiu 44%, um aumento de sete pontos percentuais em relação a 2022. A Arábia Saudita é o destino mais atraente para investimentos chineses, tanto reais quanto potenciais, devido ao tamanho significativo de sua economia e ao alto poder de compra de seus cidadãos.
Os Emirados Árabes Unidos também representam uma direção crucial: 67% das empresas consideram a entrada neste mercado. Entre as vantagens dos EAU, os analistas da PwC destacam a rede logística desenvolvida, a eficácia na atração e retenção de talentos altamente qualificados, e um ambiente de negócios favorável. Além disso, Egito, Catar, Iraque, Omã e Kuwait também atraem a atenção de potenciais investidores.
No entanto, o volume total de investimento direto chinês nos países da região ainda não ultrapassa os 6 bilhões de dólares americanos por ano. As empresas chinesas enfrentam uma série de desafios nesses mercados, incluindo a falta de conhecimento sobre as especificidades de operar em cada país (consultas com associações empresariais locais são frequentemente difíceis), instabilidade política e a falta de transparência na política econômica governamental.
