A Expansão do Comércio Chinês

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Crescimento Desacelerado Frente a Barreiras Comerciais e a Busca por Novos Mercados

Em agosto, as exportações da China registraram um aumento de 4,4% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 321,8 bilhões, conforme dados da Administração Geral da Alfândega do país. Essa taxa de crescimento, a menor em seis meses, é atribuída a diversos fatores, incluindo um alto período de base de comparação e a política tarifária restritiva dos EUA. Com a manutenção das tarifas, a exportação de produtos chineses para os Estados Unidos diminuiu 11,7%. Apesar dos esforços ativos da China para diversificar suas remessas e compensar essa queda, o intercâmbio comercial com a Rússia tem mostrado declínio em vez de crescimento. Essa dinâmica está ligada a dificuldades nos pagamentos e à saturação de certos segmentos do mercado russo por produtos chineses.

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O superávit da balança comercial da China aumentou em agosto para US$ 102,3 bilhões, comparado a US$ 98,2 bilhões em julho e US$ 91,3 bilhões no mesmo mês do ano anterior. As importações, impactadas pela fraca demanda interna, apresentaram um crescimento moderado de 1,3%, totalizando US$ 219,4 bilhões. As exportações, embora tenham crescido 4,4% ano a ano, chegando a US$ 321,8 bilhões, registraram o ritmo mais lento em meio ano.

Essa desaceleração é parcialmente explicada pelo “efeito de base elevada”: em agosto de 2024, as exportações registraram o maior crescimento em um ano e meio (8,7%), quando os fornecedores aumentaram proativamente os envios antecipando possíveis restrições tarifárias da UE e dos EUA.

As tarifas americanas, atualmente em 30%, também influenciaram a dinâmica das exportações. Em agosto, o comércio total entre a China e os EUA caiu 10,5%, para US$ 42,88 bilhões. As exportações da China para os EUA diminuíram 11,7%, para US$ 31,6 bilhões, enquanto as importações dos EUA caíram 6,6%, para US$ 11,28 bilhões. As negociações comerciais e regulatórias entre os dois países estão programadas para continuar até 10 de novembro. Tais discussões prolongadas, acompanhadas pelo congelamento de novos aumentos tarifários, são incomuns para Washington, o que ressalta a alta dependência dos EUA de produtos chineses.

Nos primeiros oito meses de 2025, as exportações da China para os EUA caíram 15,5%. Contudo, Pequim tem diversificado com sucesso seus mercados: as remessas para o Japão cresceram 4,7% nesse período, para a Índia 12,8%, para a União Europeia 7,5% e para os países da ASEAN 14,6%.

Em contrapartida, as exportações da China para a Rússia, de janeiro a agosto, diminuíram 9,7%, totalizando US$ 64,77 bilhões, segundo dados da Administração Geral da Alfândega. Somente em agosto, esse indicador caiu 5,8%, para US$ 8,55 bilhões, enquanto as importações russas recuaram 6,9%, para US$ 9,35 bilhões. A redução do volume de comércio com a Rússia, em contraste com a expansão geral das relações chinesas com outros parceiros, é explicada por persistentes problemas de pagamento, incluindo atrasos significativos em transações por bancos chineses. Além disso, mesmo com a resolução dessas dificuldades conjunturais, nem a China nem a Rússia esperam uma expansão notável do intercâmbio comercial, visto que muitos segmentos do mercado russo já estão saturados com produtos chineses.