A Trajetória de Desaceleração: Economia Global sob a Lupa do WEF e OCDE

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Analistas do Fórum Econômico Mundial e da OCDE convergem sobre as perspectivas do desenvolvimento econômico global

Representação gráfica da economia global ou mercado financeiro, simbolizando desaceleração.

A economia global deve enfrentar um ritmo de crescimento mais lento no próximo ano. Uma pesquisa de consenso do Fórum Econômico Mundial (WEF) revela que 72% dos economistas líderes preveem essa tendência, atribuindo-a à incerteza gerada pela reconfiguração das cadeias de suprimentos e fluxos de investimento, provocada pela política comercial dos Estados Unidos. As projeções do WEF, em grande parte, convergem com as análises da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): espera-se uma desaceleração do crescimento americano, seguida pela chinesa, enquanto a economia europeia pode apresentar uma leve aceleração.

Os resultados do inquérito do WEF entre os principais economistas indicam que a economia mundial se encontra numa fase de transformações estruturais e incerteza, que culminará na formação de uma nova ordem global. A maioria dos participantes (72%) antecipa um abrandamento do crescimento económico global no curto prazo.

Esta tendência de abrandamento é consequência da crescente fragmentação geoeconómica, que se manifesta na divisão da economia global em blocos distintos. A política comercial adotada pelos EUA, incluindo a imposição de tarifas pelo presidente Donald Trump a partir de 7 de agosto de 2025, é identificada como um fator crucial que impulsiona a reestruturação das cadeias de suprimentos e o ajuste das estratégias de investimento.

As alterações na política comercial norte-americana também impactam diretamente o mercado interno do país. As perspetivas de desenvolvimento permanecem comedidas, segundo os especialistas: 49% esperam um crescimento moderado, enquanto 52% preveem um crescimento fraco. Adicionalmente, 59% dos economistas inquiridos projetam uma inflação elevada nos EUA.

Apesar de perspectivas de crescimento relativamente estáveis, a economia da China, principal parceiro comercial dos EUA, também demonstra sinais de desaceleração.

Em agosto, por exemplo, o crescimento da produção industrial da China abrandou para 5,2%, o valor mais baixo registado desde novembro de 2024. Na Europa, por outro lado, as projeções são mais otimistas: 60% dos inquiridos pelo WEF antecipam um crescimento económico moderado a forte na Zona Euro (um aumento face aos 47% registados em abril). Os riscos inflacionários para a macrorregião são igualmente considerados baixos: 44% preveem inflação moderada e outros 44% esperam inflação baixa.

As opiniões dos economistas entrevistados pelo WEF alinham-se, portanto, com a previsão macroeconômica da OCDE para o período até 2026, divulgada em setembro. A OCDE projeta uma desaceleração no crescimento do PIB global, de 3,3% em 2024 para 3,2% em 2025 e 2,9% em 2026. Este cenário é atribuído a tarifas elevadas e à incerteza geopolítica. Também se prevê uma significativa desaceleração da economia dos EUA (para 1,5% até 2026), uma redução do ritmo na China (para 4,4% até 2026) e uma aceleração na Europa (para 1,2% até 2025).