Cientistas avançam na produção em massa de sangue artificial

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Estudo publicado na Sci Signal revela papel crucial do quimiocina CXCL12 na maturação de eritrócitos.

Equipes de pesquisadores da Universidade de Constança e da Universidade Queen Mary de Londres fizeram um progresso significativo em direção à produção de sangue artificial em escala industrial. Conforme relatado em um artigo na revista Science Signaling, seu trabalho demonstrou que a quimiocina CXCL12 é criticamente importante para a formação final de eritrócitos. Ela auxilia na extrusão do núcleo das células precursoras, que é a etapa final de sua transformação em glóbulos vermelhos maduros.

Normalmente, esse processo de enucleação (perda do núcleo) ocorre na medula óssea, onde as células-tronco se desenvolvem primeiro em eritroblastos e depois em eritrócitos. A remoção do núcleo torna a célula menor e permite que ela carregue mais hemoglobina. Experimentos mostraram que adicionar CXCL12 no momento certo pode iniciar esse processo em condições de laboratório, oferecendo novas maneiras de melhorar os métodos existentes.

Atualmente, o sangue artificial é produzido principalmente a partir de células-tronco obtidas do sangue do cordão umbilical ou da medula óssea, mas a disponibilidade dessas fontes é limitada. Embora já existam métodos para reprogramar células comuns em células-tronco, a eficiência da perda do núcleo nesse método ainda é baixa — menos de 40 por cento. O uso de CXCL12 pode aumentar significativamente essa taxa.

No futuro, essa conquista pode ajudar a resolver o problema da escassez de sangue doado, permitir a criação de sangue artificial de tipos raros e também cultivar o próprio sangue do paciente para seu tratamento em condições graves.

Vale ressaltar que, anteriormente, testes clínicos de sangue artificial de tipo universal, obtido pelo processamento de hemoglobina de doadores, já haviam começado no Japão.