Uma nova pesquisa, publicada na prestigiada revista JAMA Neurology, revelou que contraceptivos injetáveis contendo medroxiprogesterona podem aumentar significativamente o risco de desenvolver meningioma – um tumor cerebral geralmente benigno. Especialistas da Case Western Reserve University School of Medicine e da Cleveland Clinic destacam a importância desta descoberta para a saúde feminina.
O meningioma é um dos tumores cerebrais primários mais comuns e é diagnosticado com maior frequência em mulheres. Essa prevalência feminina tem sido historicamente associada à influência dos hormônios sexuais.
A análise abrangente de dados de mais de 10 milhões de mulheres americanas demonstrou que as usuárias de medroxiprogesterona injetável (dMPA) apresentavam um risco 143% maior de meningioma em comparação com o grupo de controle. Notavelmente, esse risco aumentou mais de três vezes com o uso contínuo do contraceptivo por mais de quatro anos, sendo as mulheres que iniciaram a terapia após os 31 anos as mais vulneráveis.
É importante ressaltar que, para outros métodos contraceptivos, como os contraceptivos orais combinados e os dispositivos intrauterinos (DIUs), nenhuma correlação semelhante foi encontrada. Curiosamente, em mulheres com DIU, o risco de meningioma foi até abaixo da média. Os pesquisadores enfatizam que se trata de um aumento da probabilidade estatística, e não de uma relação causal direta comprovada, e apelam por mais investigações para compreender plenamente os mecanismos envolvidos.
Estudos anteriores já indicavam que os contraceptivos orais podem afetar as redes cerebrais, causando alterações de humor e impactando áreas responsáveis por emoções, atenção e habilidades motoras. Esta nova pesquisa adiciona uma camada adicional de complexidade ao entendimento dos efeitos hormonais no cérebro feminino.
