Cientistas da Universidade Estatal de Belgorod (BelSU) realizaram uma descoberta inédita ao identificar uma combinação genética específica que aumenta o risco de uma perigosa doença ginecológica: a hiperplasia do endométrio. Segundo comunicado da assessoria de imprensa da universidade, este avanço permitirá prever a ocorrência da doença muito antes do aparecimento de quaisquer sintomas.
A hiperplasia do endométrio é uma condição ginecológica comum caracterizada pelo crescimento excessivo do revestimento interno do útero. Essa proliferação anormal pode evoluir para quadros de risco vital, incluindo o câncer de endométrio e hemorragias uterinas severas.
Especialistas da NUI BelSU indicam que os processos hiperplásicos correspondem a uma fatia significativa, de 10% a 50%, dos diagnósticos ginecológicos. A relevância da questão é amplificada pelo fato de que cerca de 40% das pacientes jovens necessitam de tratamento cirúrgico, uma intervenção que, lamentavelmente, pode levar à infertilidade.
Os métodos de diagnóstico atualmente disponíveis frequentemente identificam a doença apenas quando as alterações no endométrio já se encontram em estágio avançado. Adicionalmente, as abordagens terapêuticas tradicionais, como a terapia hormonal ou a cirurgia, nem sempre são totalmente eficazes e podem resultar em complicações. Diante deste cenário, a pesquisa focada na identificação precoce da predisposição para a hiperplasia do endométrio assume importância crucial.
Conforme detalhado pelos cientistas da BelSU, a medicina moderna tem se voltado cada vez mais para a genética na busca por ferramentas de previsão de doenças. O estudo conduzido na universidade revelou que a presença, em pacientes, de uma combinação específica de variantes genéticas — nomeadamente rs11031002-TT no gene FSHB, rs112295236-CG no gene SLC22A10, rs11031005-TT no gene FSHB e rs148982377-TT no gene ZNF789 — está associada a um aumento substancial do risco de hiperplasia do endométrio.
“Estes dados são únicos, foram obtidos pela primeira vez no mundo e permitem prever o risco da doença a nível genético”, declarou Mikhail Churnosov, que chefia o departamento de disciplinas biomédicas da NUI `BelSU`.
A pesquisa contou com a participação de 1493 mulheres. Destas, 520 tinham o diagnóstico de hiperplasia do endométrio, enquanto as outras 973 formavam o grupo de controle. A equipe de especialistas conduziu análises do polimorfismo de genes conhecidos por estarem envolvidos na regulação dos níveis de hormônios sexuais.
“Os resultados alcançados pavimentam o caminho para uma avaliação de risco personalizada para o desenvolvimento da hiperplasia do endométrio. Poderemos assim identificar grupos de risco entre mulheres clinicamente saudáveis e implementar medidas preventivas direcionadas, o que otimizará a eficácia do diagnóstico precoce e da prevenção”, acrescentou Churnosov.
Os pesquisadores destacam que a integração destes achados na prática clínica não só auxiliará na prevenção do desenvolvimento da doença, mas também contribuirá para a redução do número de procedimentos cirúrgicos necessários.
Este estudo foi financiado por um subsídio do Ministério da Ciência e Ensino Superior da Rússia, como parte do projeto federal “Popularização da Ciência e Tecnologia”.
