Desenvolvido Anticorpo Capaz de Neutralizar Vírus Nipah e Hendra

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Cientistas anunciaram um avanço significativo na luta contra dois dos vírus mais perigosos do mundo, Nipah e Hendra. Eles desenvolveram um anticorpo inovador capaz de neutralizar simultaneamente essas infecções letais. O que torna essa descoberta ainda mais notável é a capacidade do anticorpo de impedir que os vírus sofram mutações e desenvolvam resistência à terapia. Os resultados desta pesquisa foram publicados na conceituada revista científica Nature.

Os vírus Nipah e Hendra pertencem à família henipavirus e são conhecidos por causar inflamações graves e muitas vezes fatais nos pulmões e no cérebro. O vírus Nipah é a causa de surtos recorrentes no Sul da Ásia, particularmente em Bangladesh e na Índia. Já o vírus Hendra circula na Austrália, sendo transmitido de morcegos para humanos, frequentemente através de cavalos. Atualmente, não existem vacinas ou tratamentos farmacológicos aprovados para combater essas infecções.

O novo composto terapêutico é uma molécula engenhosa de dupla ação. Ela combina um nanocorpo chamado DS90, que age bloqueando a proteína de fusão do vírus, com um anticorpo já conhecido, o m102.4, que impede que o vírus se ligue às células do hospedeiro. Essa abordagem “duplamente direcionada” demonstrou ser não apenas mais potente em sua ação, mas também mais confiável em termos de prevenção da resistência viral. Em testes de laboratório, o vírus não conseguiu desenvolver mutações capazes de evadir o tratamento, mesmo após exposições repetidas ao composto.

Em experimentos realizados com animais, o medicamento proporcionou proteção completa quando administrado antes da exposição ao vírus. Quando aplicado após a infecção já estabelecida, conseguiu salvar até metade dos indivíduos testados. Sua eficácia foi comprovada contra diferentes cepas tanto do vírus Nipah quanto do Hendra, incluindo variantes mutantes potenciais. Os pesquisadores sugerem que essa estratégia pode servir como um modelo universal para o desenvolvimento de terapias contra outros patógenos de alto risco. Além disso, as propriedades dos nanocorpos – como seu tamanho reduzido e estabilidade – os tornam adequados para produção rápida, armazenamento sem a necessidade de refrigeração e até mesmo para administração por inalação.

Em uma pesquisa paralela e também promissora, cientistas fizeram avanços significativos na busca por uma cura para o HIV. Pela primeira vez, eles conseguiram induzir o vírus a sair de seu estado de dormência (latência) dentro das células imunológicas usando tecnologia baseada em mRNA. Essa nova tecnologia emprega nanopartículas avançadas para tornar o vírus “oculto” visível para o sistema imunológico do corpo, abrindo novas possibilidades para o tratamento.