Especialistas preveem um enfraquecimento contínuo do rublo até o final do ano, com a expectativa de que o dólar atinja cerca de 90 rublos até o final de 2025. As principais razões incluem a deterioração da balança de pagamentos da Rússia, o aumento da demanda por moeda estrangeira, a volatilidade dos preços das commodities e a incerteza geopolítica geral.
Economistas do Raiffeisenbank observam que, embora a taxa média do rublo em agosto tenha permanecido relativamente estável, houve uma dinâmica clara de enfraquecimento dentro do mês: o yuan e o euro subiram quase 4% em relação ao rublo, e o dólar, 2%. Os analistas veem isso como o início de uma tendência de enfraquecimento sustentada, prevendo que o dólar possa atingir 92 rublos até o final do ano.
O enfraquecimento do rublo é atribuído a uma combinação de fatores de curto prazo e fundamentais. De acordo com o Banco Central, em agosto, grandes exportadores reduziram as vendas de moeda estrangeira para US$ 6,2 bilhões, em comparação com US$ 9 bilhões em julho. Essa queda, impulsionada pelo aumento dos pagamentos em rublos e pelo fechamento de empréstimos em moeda estrangeira, marcou o nível mais baixo em meses. Simultaneamente, as empresas aumentaram significativamente as compras de moeda para pagamentos de importações, indicando também um aumento na demanda do consumidor por bens estrangeiros.
A dinâmica da balança de pagamentos não favorece o fortalecimento do rublo. No segundo trimestre de 2025, o superávit da conta corrente caiu 58% em termos anuais. As exportações de bens diminuíram 6%, e o superávit do comércio exterior, 24%. O déficit na balança de serviços aumentou de US$ 10,4 bilhões para US$ 12,9 bilhões, com um crescimento de 25% nas importações de serviços. Simultaneamente, o rublo real se valorizou 12,1% no primeiro semestre (considerando a diferença de inflação entre a Rússia e seus parceiros comerciais), o que reduziu os custos para importadores, mas diminuiu as receitas em rublos para exportadores.
Especialistas do Instituto Gaidar ressaltam que a valorização do rublo real afeta negativamente a competitividade das exportações russas. Eles preveem que, com a manutenção dos preços do petróleo Brent na faixa de US$ 65–75 por barril e a atual política macroeconômica, a taxa de câmbio média anual do rublo em 2025 será de 80–90 rublos por dólar.
A pressão sobre a balança de pagamentos intensificou-se no terceiro trimestre, refletindo-se nas cotações cambiais. De acordo com o Centro de Índices de Preços (CIP), em agosto, o indicador geral de preços de commodities caiu 3,5% em relação a julho, atingindo 63 pontos. A principal causa foi a queda de 7,7% no preço do petróleo no mês. Além disso, os descontos nos tipos de petróleo russos aumentaram, e as tarifas impostas pelos EUA reduziram ainda mais as receitas de exportação.
Daria Tarasenko, do Centro de Previsão Econômica do Gazprombank, aponta que o agravamento das tensões geopolíticas aumenta a volatilidade nos mercados de commodities. Ela espera que os preços de exportação permaneçam baixos devido a fatores fundamentais como conflitos comerciais e a desaceleração do crescimento econômico global. No primeiro semestre de 2025, o nível do índice de commodities do CIP correspondia a uma taxa de câmbio acima de 100 rublos por dólar. Tarasenko explica que, naquele período, o enfraquecimento do rublo foi contido pela redução da atividade do consumidor, queda na demanda por importações, vendas de moeda estrangeira pelo Banco Central e uma redistribuição da demanda corporativa em favor de ativos em rublos devido à alta taxa básica de juros. O Gazprombank também prevê que, no segundo semestre de 2025, a taxa de câmbio média do rublo enfraquecerá para cerca de 90 rublos por dólar.
Especialistas do Raiffeisenbank acrescentam que uma maior flexibilização da política monetária do Banco Central reduz a atratividade dos ativos russos para os investidores. As sanções também podem intensificar a pressão: novas tarifas comerciais dos EUA e da UE são capazes de aumentar os descontos sobre o petróleo russo e restringir a exportação de certos bens. Finalmente, a incerteza geopolítica continua a impactar negativamente o rublo, estimulando a demanda interna por moeda estrangeira.
