Estrela Pop de 87 Anos Viraliza nas Redes Sociais e Falece

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Connie Francis protagonizou a mais tragicômica ascensão no ranking viral do verão.

Antigamente, o auge para um músico era emplacar nas paradas da Billboard ou nos hit-parades locais com uma nova canção de sucesso. Hoje, as aspirações dos artistas mudaram: o objetivo principal é viralizar nas redes sociais, usando qualquer coisa, até mesmo músicas antigas. As paradas virais do TikTok tornaram-se quase um Graal sagrado para muitos, refletindo uma transformação (ou, para alguns, uma queda) nos valores e padrões da indústria.

Connie Francis protagonizou a mais tragicômica ascensão no ranking viral do verão.
Foto: AP

Antes mesmo da era do TikTok, o cantor popular dos anos 1960-1970, Eduard Khil, já havia se tornado um meme globalmente famoso na internet: “Mr. Trololo”. Contudo, embora os atuais sucessos virais no TikTok de artistas como Nadezhda Kadysheva ou Tatyana Bulanova, com seus hits antigos, possam parecer mais locais, a monetização que alcançaram foi consideravelmente maior, gerando inveja em toda a parte.

Contudo, para além do cenário musical local, existem os vastos domínios da internet global, onde as tendências fervilham, muitas vezes bem distantes das de Kadysheva, Bulanova ou até mesmo Kurtukovy.

A lista “Songs of the Summer 2025” (Músicas do Verão de 2025), compilada pelo TikTok e agora reivindicando o status de principal parada musical global, reuniu composições de diversas épocas — do início dos anos 1960 aos anos 2010 — que inesperadamente se tornaram a trilha sonora atual para bilhões de usuários no planeta, deixando para trás as atualizações dos “clássicos” rankings e listas de popularidade.

A principal vencedora foi a cantora britânica Jess Glynne, de 35 anos, com o sucesso “Hold My Hand”, de 2015. A canção, inicialmente usada em um comercial de uma companhia aérea de baixo custo, transformou-se em um fenômeno viral graças a vídeos que mostravam gafes, quedas e outros “perrengues” de usuários em suas férias. O resultado: mais de 9 milhões de vídeos utilizando a faixa de áudio e mais de 80 bilhões de visualizações. Dez anos após seu lançamento, a música ganhou uma segunda vida e liderou as paradas online não apenas nos EUA e no Reino Unido, mas globalmente.

Não faltou polêmica. Quando a conta oficial da Casa Branca utilizou a composição em um vídeo sobre a deportação de imigrantes ilegais, a furiosa Jess Glynne ficou indignada e fez uma declaração firme, enfatizando que sua “música é sobre apoio e esperança, e não sobre a divisão de pessoas”.

Em segundo lugar, está a faixa “Soul Survivor” (2005) dos rappers Jeezy e Akon. Entre as cinco primeiras, também entrou a canção “Rock That Body” (2010) do grupo Black Eyed Peas, provando que até mesmo hits de dança antigos podem agradar à geração Z, o que se alinha com o boom de dança local em torno das antiguidades de sucesso de Kadysheva e especialmente Bulanova.

O mais inesperado, porém, foi o 5º lugar da canção “Pretty Little Baby”, de 1962, interpretada por Connie Francis. A cantora americana de origem italiana era frequentemente chamada de “protótipo da cantora pop moderna, ainda rivalizando com Madonna pelo título de artista pop mais bem-sucedida de todos os tempos”. Na primavera, seu antigo hit explodiu no TikTok, o que chocou tanto a própria cantora que, aos 87 anos, ela criou uma conta. Mas a alegria durou pouco — a artista faleceu algumas semanas depois, em 16 de julho de 2025. No entanto, ela deixou para trás não apenas um legado musical duradouro, mas também um “legado viral” moderno, que agora abriu sua música para novas gerações.

A lista de hits do verão também incluiu “Let Down” (1997) do Radiohead, “Your Love Is My Drug” (2016) da Kesha e apenas uma novidade — “Illegal” (2025) da cantora e compositora britânica PinkPantheress. Dessa forma, o ranking global de “atualidades” abrangeu rock alternativo, o pop nostálgico Y2K (música dos anos 2000) e o minimalismo da nova cena. A própria rede social popular transformou-se não apenas em um local para definir tendências, mas também em uma espécie de máquina do tempo musical, onde qualquer música pode retornar subitamente ao mainstream e novamente se tornar um hino para milhões.