
A França se prepara para um avanço histórico em sua infraestrutura tecnológica, com planos de migrar seus sistemas do Windows para o Linux e outras soluções de software livre. Essa iniciativa, que visa fortalecer a soberania digital do país, foi anunciada há quase um ano e agora entra em fase de implementação, com a transição de computadores governamentais que atualmente operam com o sistema da Microsoft.
Segundo um comunicado oficial da Direção Interministerial de Assuntos Digitais da França (DINUM), um seminário com agências estatais e especialistas definiu o plano para a adoção generalizada do software livre. A decisão de migrar para o Linux como sistema operacional em computadores governamentais é um dos pontos centrais dessa estratégia. David Amiel, Ministro de Ação e Contas Públicas, ressaltou a necessidade de reduzir a dependência de tecnologias americanas e recuperar o controle sobre o destino digital do país.

Essa movimentação segue os passos de cidades como Lyon, que já iniciaram a instalação de distribuições Linux e do pacote de escritório OnlyOffice em repartições públicas. A declaração de Amiel enfatiza a insustentabilidade de ter dados, infraestruturas e decisões estratégicas sujeitas a soluções sobre as quais o controle de normas, preços, desenvolvimentos e riscos é limitado.
A DINUM liderará um plano interministerial para diminuir a dependência de softwares estrangeiros, incentivando cada ministério a formalizar seus próprios planos de transição. A estratégia abrange não apenas sistemas operacionais e ferramentas de produtividade, mas também antivírus, gerenciadores de banco de dados, tecnologias de virtualização, inteligência artificial e equipamentos de rede.

Linux e o Software Livre são o Futuro da França
Embora os detalhes sobre quais distribuições Linux serão adotadas e o cronograma exato da migração ainda não tenham sido divulgados, a responsabilidade de mapear as dependências tecnológicas e definir um calendário recairá sobre o Departamento Estatal de Contratação e a Direção Geral de Empresas. O objetivo é consolidar a adoção do software livre em todas as esferas do governo.
“A transição está em andamento”, declarou Amiel. “Nossos ministérios, operadores e parceiros industriais estão agora embarcando em uma abordagem sem precedentes para mapear nossas dependências e fortalecer nossa soberania digital.”
Em paralelo à migração para o Linux, a DINUM informou que o Fundo Nacional de Seguro de Saúde já migrou seus funcionários para o Visio, uma aplicação de videochamadas livre. Essa ferramenta, juntamente com o FranceTransfert para transferência de arquivos e o Tchap para mensagens instantâneas, compõem um conjunto de soluções destinadas a substituir softwares de empresas americanas como Microsoft e Google. Anteriormente, Amiel mencionou que o Visio já contava com 40.000 usuários e a meta é alcançar 200.000 em dois anos. O Centro Nacional para a Pesquisa Científica é um dos primeiros a adotar o Visio, substituindo o Zoom para suas conferências em vídeo.
