A XP Investimentos, após encontros estratégicos com Rafael Japur, CFO da Gerdau (GGBR4), publicou na terça-feira (10) um relatório detalhando a atual postura cautelosa de seus analistas, embora com visíveis sinais de otimismo.
O relatório aponta para um cenário dual: enquanto o mercado interno brasileiro continua enfraquecido, as operações na América do Norte exibem uma notável solidez. Em decorrência dessa análise, os especialistas da XP reafirmaram a recomendação de compra para as ações da Gerdau, estabelecendo um preço-alvo de R$ 25,00 até o final de 2026.
Apesar dos obstáculos, a expectativa é que o rendimento do Fluxo de Caixa Livre (FCF) se mantenha entre 9% e 10%. Essa estabilidade será impulsionada pela diminuição das exigências de despesas de capital (Capex), com o encerramento de grandes projetos de investimento. Adicionalmente, as reduções de custo resultantes do projeto Miguel Burnier e a aceleração das operações em Ouro Branco e Midlothian contribuirão para esse cenário.
Conforme o estudo, a forte presença estrutural da Gerdau nos Estados Unidos representa um diferencial significativo. Os múltiplos de negociação atuais da empresa (Preço/Lucro de 7x a 8x) tendem a precificar predominantemente o risco Brasil, desconsiderando o menor custo de capital e a superior rentabilidade das operações americanas.
Na visão dos analistas, a cotação atual das ações não espelha adequadamente a qualidade da atuação da Gerdau nos EUA, criando uma oportunidade para que os papéis se valorizem à medida que o mercado assimile essa discrepância.
No que tange às atividades na América do Norte, a XP projeta um desempenho robusto em 2026. Tal sustentação deriva de uma sólida carteira de pedidos (backlogs) e dos recentes reajustes de preços, amparados pela Section 232 – uma política comercial americana que taxa importações de aço. A estimativa é que a margem EBITDA (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) na região alcance 24% no mesmo ano.
Para o ano de 2027, a XP assume uma perspectiva mais cautelosa, antecipando uma estabilização da rentabilidade em 19%. O acordo USMCA (EUA, México e Canadá) é apontado como o principal risco, pois a eventual concessão de isenções tarifárias poderia intensificar a entrada de aço estrangeiro nos EUA, pressionando as margens operacionais locais.
Panorama Nacional
No que concerne ao Brasil, os analistas da XP enfatizam que o cenário interno continua desafiador, impulsionado pela intensa concorrência e pela redução nos preços de produtos como o vergalhão.
Prevê-se que as margens no Brasil fiquem entre 8% e 9% no primeiro semestre de 2026. Contudo, uma melhora é aguardada para a segunda metade do ano, alavancada pelos investimentos no projeto Miguel Burnier.
O relatório destaca o projeto de mineração Miguel Burnier como fundamental para a estratégia de otimização de custos da Gerdau. A comercialização de minério de ferro, por exemplo, deve agregar aproximadamente R$ 250 milhões ao EBITDA em 2026.
Adicionalmente, espera-se que essa contribuição aumente para R$ 750 milhões em 2027, auxiliando as margens brasileiras a alcançarem um patamar de 11% a 12%, o que traria maior estabilidade à rentabilidade da Gerdau no país.
Para além da mineração, a Gerdau foca no crescimento de volume por meio da aceleração produtiva (ramp-up) de suas expansões em Ouro Branco (MG) e Midlothian (EUA). Em termos de portfólio, a empresa considera desinvestir em ativos não estratégicos no Brasil, como propriedades florestais e imobiliárias.
Tais desinvestimentos potenciais representam um benefício adicional, pois podem contribuir para a desalavancagem financeira e para aprimorar o Retorno sobre o Capital Investido (ROIC).
