A mística feminina na Idade Média representa um conjunto significativo de escritos de mulheres que exploraram sua profunda relação com o divino.
Nesse período, a experiência de Deus era frequentemente atribuída às mulheres, associando a feminilidade à emoção, aos sentimentos e à narrativa autobiográfica. Isso contrastava com a abordagem dos homens, que geralmente se dedicavam ao estudo teológico e à especulação racional.
Este fenômeno tem suas raízes no século XII, com figuras proeminentes como Hildegard von Bingen e suas visões marcantes, que serviram como um claro precedente para a grande expansão da escrita mística feminina no século XIII. Foi nesse período que muitas místicas começaram a redigir suas obras em suas línguas maternas (como neerlandês, úmbrio, alemão e inglês), idiomas muito mais aptos do que o latim para narrar uma vivência espiritual na qual o sentimento amoroso era central. A mística feminina destacava-se por ser mais epitalâmica do que puramente especulativa, ou seja, o conhecimento de Deus era alcançado e expresso principalmente através do amor. Nesse contexto, observavam-se interessantes interconexões e distinções entre o amor cortês e o amor a Deus nos discursos da época.
O percurso por essa rica tradição culmina com a figura de Juliana de Norwich (séculos XIV-XV), um exemplo notável de mística cuja experiência e escrita se entrelaçam intimamente com a estética do período gótico.
