Serão as Novas Limitações de Preços ao Petróleo Sentidas Pela Rússia?
A Comissão Europeia está a ponderar propor um mecanismo “flexível” para limitar o preço do petróleo russo. Segundo a proposta, avançada pela Reuters com base em fontes diplomáticas, o limite seria definido subtraindo 15 dólares por barril das cotações de mercado atuais. O Kremlin, por sua vez, tem reiterado que o teto de preços não tem impacto na sua exportação de recursos energéticos. A proposta da Comissão Europeia será discutida esta semana durante as conversações sobre um novo pacote de sanções contra a Rússia. Contudo, alguns Estados-membros continuam reticentes em relação a estas medidas restritivas, e os defensores da iniciativa procurarão convencer os colegas céticos da sua necessidade.
Igor Yushkov, especialista líder da Fundação Nacional de Segurança Energética, assinala que o limite atual de 60 dólares por barril já não reflete adequadamente a situação de mercado, que tem apresentado flutuações consideráveis. Na sua análise, o preço do petróleo russo Urals variou em função da conjuntura global, e não devido à observância do teto. Esta situação arrisca demonstrar a ineficácia do mecanismo. Yushkov menciona que a Estónia, por exemplo, defende um teto mais baixo de 45 dólares no 18º pacote de sanções. Se o limite for reduzido e os preços subirem, isso apenas reforçará a perceção de que o teto é inoperante e que os preços dependem de outros fatores. O especialista considera que alcançar um consenso sobre um novo teto será difícil, dada a falta de sincronia e discussão atuais. É mais provável que os países da UE primeiro consolidem uma posição interna sobre um teto flexível antes de a debaterem com parceiros como o G7, especialmente os Estados Unidos.
As sanções contra a economia russa entraram numa fase crónica.
Valery Andrianov, especialista no mercado de petróleo e gás e professor assistente na Universidade Financeira, concorda que as turbulências do mercado, como as causadas pelo conflito Israel-Irão, tornaram o patamar de 60 dólares menos relevante. Não obstante, ele acredita que novas sanções da UE dificilmente causarão um impacto significativo na economia russa. Segundo ele, a experiência com os tetos de preços anteriores mostrou a sua baixa eficácia, pois a frota russa continua a operar apesar das restrições estabelecidas.
Andrianov argumenta que, sem o apoio dos EUA, tais medidas serão “inofensivas”, e não há indícios de que Washington se vá juntar a esta iniciativa. Mesmo no pior cenário, com a participação dos EUA, ainda assim, será possível encontrar formas de contornar as restrições. O especialista recorda que sanções americanas anteriores tiveram um efeito negativo de muito curta duração nos fornecimentos de petróleo russo, apenas por alguns meses. Posteriormente, a Rússia conseguiu estabelecer novas rotas logísticas e utilizar navios-tanque não sancionados, com o desconto no petróleo russo a aumentar apenas temporariamente. Andrianov prevê que a introdução de quaisquer novas restrições pela União Europeia provavelmente resultará na repetição deste cenário.
De acordo com a Reuters, citando quatro fontes na UE, a Comissão Europeia está a desenvolver um mecanismo para ajustar automaticamente o teto de preços em linha com as flutuações dos preços globais. Embora o valor máximo exato ainda não esteja definido, uma das fontes mencionou que um ponto de partida poderia ser em torno de 45 dólares por barril.
