
Como já é sabido, ‘Projeto Salvação’ emergiu como o primeiro grande sucesso de bilheteria deste ano. O filme não apenas superou todas as expectativas em seu fim de semana de estreia, quebrando inclusive o recorde de ‘Oppenheimer’ para um filme original (não sequência nem remake) em arrecadação. Seu contínuo domínio nas bilheterias, mantendo-se em primeiro lugar, e sua aclamação crítica, que já o cataloga como um clássico do gênero, confirmam seu triunfo retumbante.
O sucesso deste filme sublinha um crescente interesse num tipo de ficção especulativa que vai além das ameaças de desastres ou apocalipses. De fato, o romance de Andy Weir no qual esta produção se baseia é o expoente mais recente do que é conhecido como ‘hopepunk’ ou ‘solarpunk’. Essas correntes representam uma resposta vital ao predomínio de distopias sombrias e futuros desoladores na cultura popular contemporânea. Ao contrário do pessimismo tecnológico, propõem que a engenhosidade humana, a cooperação e a ética podem forjar sociedades mais justas e sustentáveis. Temas que ‘Projeto Salvação’ aborda de maneira fascinante e emotiva.
Não se trata de uma visão ingênua ou desprovida de conflito, mas de uma narrativa onde a resolução de problemas não depende da violência. Essa abordagem transforma ‘Projeto Salvação’ em um sopro de ar fresco para a ficção científica e resgata uma perspectiva onde o futuro não é um destino temível, mas um projeto em constante construção, onde a esperança atua como uma ferramenta de resistência política. Se essa visão te atrai, a lista a seguir é para você: apresentamos 7 filmes que vão te comover e que se afastam da distopia, desde outra obra notável de Andy Weir até um clássico da Pixar. Uma seleção pensada para aqueles que imaginam um futuro promissor para a humanidade.
Marte (The Martian)

Em 2015, Ridley Scott transformou esta adaptação do romance homônimo de Andy Weir (também autor de ‘Projeto Salvação’) em uma ode ao método científico e à tenacidade do espírito humano. A trama segue o botânico Mark Watney (Matt Damon), que é dado como morto e abandonado em Marte após uma violenta tempestade. O que em qualquer outro filme se tornaria um sombrio drama psicológico sobre a solidão e o desespero, aqui se desenvolve como um manual de sobrevivência extraordinariamente otimista.
Watney não se rende às estatísticas impossíveis de sua situação; em vez disso, decide abordar cada problema com engenhosidade científica até encontrar uma saída. É fascinante observar como a narrativa celebra a inteligência pura: desde cultivar batatas em solo marciano com química improvisada até restaurar tecnologia antiga para se comunicar com a Terra. Mas o otimismo não reside apenas no protagonista, mas também na resposta global. O mundo inteiro, deixando de lado a política e as fronteiras, une-se com um único objetivo: trazer um homem de volta para casa. Uma obra cativante para os amantes de uma visão emocionante do futuro e da ciência.
A Chegada (Netflix)

Outra adaptação cinematográfica que se soma à lista, desta vez dirigida por Denis Villeneuve, a mente criativa por trás da trilogia de ‘Duna’. No entanto, ao contrário do enfoque épico da obra de Frank Herbert, esta visão da ficção científica é comovente e profundamente íntima. Baseada no conto ‘A História da Sua Vida’ de Ted Chiang, redefine o tropo do primeiro contato a partir de uma perspectiva marcadamente humanista e linguística.
Quando doze naves alienígenas aterrissam em diferentes pontos da Terra, o mundo entra em pânico, preparando-se para uma guerra iminente. No entanto, a protagonista, a linguista Louise Banks (Amy Adams), propõe um caminho diferente: a comunicação. O filme é otimista porque sugere que a linguagem não é apenas uma ferramenta para transmitir informações, mas uma forma de moldar nossa mente e nossa capacidade de empatia. Um aspecto que, aliás, também ressoa em ‘Projeto Salvação’.
Interestelar

A monumental obra de ficção científica da nossa época é, por sua vez, uma reflexão otimista sobre o futuro. Embora Christopher Nolan situe a ação em uma Terra moribunda por causa de uma praga agrícola, o coração do filme pulsa com uma fé inabalável no porvir. É uma odisseia espacial que emprega conceitos complexos como buracos de minhoca e dilatação temporal para narrar uma história centrada no vínculo emocional. O otimismo de ‘Interestelar’ fundamenta-se em sua tese principal: o amor não é meramente um sentimento humano volátil, mas uma dimensão real e poderosa que transcende o tempo e o espaço.
O piloto Joseph Cooper (Matthew McConaughey) aventura-se no desconhecido, não por glória, mas pela promessa de um futuro para seus filhos. O filme desafia a ideia de que a humanidade está destinada a se extinguir no esquecimento; em vez disso, nos apresenta como exploradores inatos cuja curiosidade e sacrifício nos permitem realizar saltos evolutivos inimagináveis. A ciência não é concebida como algo frio ou distante, mas como a ferramenta que possibilita que a conexão humana se manifeste em escala cósmica. Observar a humanidade se estabelecer em estações espaciais ao final da viagem é a recompensa de uma travessia onde a esperança foi o combustível mais essencial.
Contato (Netflix)

O célebre divulgador científico Carl Sagan concebeu esta obra como uma profunda reflexão sobre o bem, tornando-a talvez a representação mais pura do otimismo científico. Ellie Arroway (Jodie Foster) é uma cientista que busca sinais de vida inteligente no universo, enfrentando o ceticismo e o dogma religioso. Quando finalmente recebe um sinal, o filme não recorre à paranoia de uma invasão.
Em vez disso, nos mostra um processo de descoberta cheio de assombro. ‘Contato’ é otimista porque trata a humanidade como uma espécie jovem, às vezes confusa e assustada, mas com um potencial imenso para se unir a uma comunidade galáctica mais sábia. A viagem final de Ellie não é uma conquista, mas uma lição de humildade e maravilha; é a confirmação de que não estamos sozinhos no cosmos e que o universo é um lugar cheio de possibilidades esperando para ser explorado por aqueles que se atreverem a sonhar.
Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada É Impossível (Disney+)

Talvez não seja tão conhecida, mas este filme de Brad Bird oferece uma crítica direta à obsessão contemporânea pelo apocalipse e pelas narrativas de futuros desoladores. A trama nos introduz a uma cidade em outra dimensão, criada pelas mentes mais brilhantes do mundo para fomentar a inovação sem limites. A mensagem central é que o futuro só se torna uma distopia se deixarmos de acreditar em nossa capacidade de melhorá-lo.
Além disso, o filme é uma explosão visual de retrofuturismo que celebra o otimismo como uma forma necessária de rebeldia. ‘Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada É Impossível’ nos convida a parar de consumir histórias de destruição e a começar a imaginar soluções, lembrando-nos que as grandes façanhas da humanidade começaram simplesmente porque alguém se recusou a aceitar que o fim estava próximo. É um chamado à ação para inventores, artistas e sonhadores que ainda acreditam que a engenhosidade humana pode salvar o mundo.
Contatos Imediatos de Terceiro Grau

Este filme de Steven Spielberg é um marco na ficção científica, especialmente por desafiar o costume cinematográfico de representar os alienígenas como monstros ou invasores. Pelo contrário, o diretor apresentou uma visão radicalmente pacífica. O filme segue pessoas comuns que sentem um chamado irresistível para um encontro com o desconhecido. O que torna este filme tão otimista é o seu clímax na Torre do Diabo, onde a comunicação com os extraterrestres não é alcançada através de códigos militares ou ameaças, mas sim através da música e da luz.
O uso das famosas cinco notas musicais como linguagem universal é uma metáfora poderosa: a arte e a harmonia são a base do entendimento. Os alienígenas não vêm para nos julgar nem para nos destruir, mas para trocar conhecimentos num gesto de amizade cósmica. É um filme que capta a inocência e o assombro infantil, sugerindo que o universo é um lugar benevolente e que o nosso primeiro encontro com outras civilizações será um momento de beleza sublime e paz absoluta.
Wall-E (Disney+)

A Pixar conseguiu criar uma das histórias mais esperançosas da ficção científica moderna, empregando para isso um diminuto robô compactador de lixo que mal articula palavras. Embora o cenário inicial seja uma Terra desolada e coberta de resíduos, o filme não é uma condenação, mas uma história de renascimento. Wall-E, com sua curiosidade pelos objetos humanos e sua inata capacidade de amar, atua como o catalisador que desperta uma humanidade letárgica e desconectada.
O otimismo aqui reside na ideia de que a natureza possui uma vontade assombrosa, simbolizada por aquela pequena planta em uma bota. Além disso, sugere que o ser humano sempre pode retificar seus erros se encontrar uma razão pela qual lutar. Uma escolha ideal para os otimistas de coração.
